Pedro Nuno Santos defende unidade entre PS, BE e PCP, na defesa do estado social
Em entrevista publicada hoje no jornal i, o deputado socialista Pedro Nuno Santos fala sobre o Congresso Democrático das Alternativas, que subscreve, considerando-o um primeiro momento de um trabalho em conjunto que PS, BE e PCP devem desenvolver, unindo "forças no combate à direita e ao desmantelamento do Estado social". Para o militante socialista estes três partidos devem unir-se contra PSD e CDS que "estão interessados em reduzir o papel do Estado nestas funções sociais, em entregá-las ao privado e usam a austeridade e o Memorando como desculpa". Publicamos excerto da entrevista que pode ser lida na íntegra aqui.
A trapalhada (aka Congresso Democrático das Alternativas)
João Delgado
Ala direita do Bloco, ala esquerda do PS e Carvalho da Silva, em tirocínio para Belém, juntam-se para uma trapalhada que terá a designação de Congresso Democrático das Alternativas, mas poderá vir a transformar-se no Congresso de Branqueamento do PS.
Sem sectarismos, o diálogo da esquerda com gente do PS deve rodear-se de precauções especiais, sob pena de a pretensa atração dos socialistas para posições consentâneas com a denominação que persistem em utilizar tenha exatamente o resultado contrário. O passado mais ou menos recente conta-nos histórias exemplares, de que retivemos nomes como Vital Moreira, Barros Moura, José Luís Judas, Pina Moura, Mário Lino, Maria Santos e Miguel Vale de Almeida, para apenas citar os mais mediatizados.
Por que caiu Lugo? A conexão dos agronegócios
Atilio A. Boron (via Telesur, tradução vermelhos.net)
O Congresso do Paraguai consumou na sexta-feira uma das fraudes mais descaradas da história política latino-americana: destituiu, num julgamento sumaríssimo que parecia mais um linchamento político do que um processo constitucional, o presidente Fernando Lugo. Com uma velocidade proporcional à sua ilegitimidade, o Senado mais corrupto das Américas – e isto quer dizer muito – considerou-o culpado de "mau desempenho" das suas funções por causa das mortes na desocupação de uma fazenda em Curuguaty. Que o massacre foi uma armadilha preparada por uma direita que desde que Lugo assumiu o cargo estava à espera do momento certo para acabar com um regime que, apesar de não ter afetado os seus interesses, abriu um espaço para o protesto social e organização popular incompatível com a sua dominação de classe.
Feijão verde de Marrocos
João Delgado
Uma reportagem televisiva sobre o anunciado falhanço na redução do déficit apresentava como imagem de fundo a secção de legumes de uma grande superfície, em que se destacava uma pancarta com os inesperados dizeres “Feijão verde de Marrocos”.
Se pensarmos na relação entre os portugueses e Marrocos nas últimas décadas, recordaremos as viagens à boleia, ou num 2 cavalos, com que os mais libertos de espírito se dirigiam ao norte de África no pós-25 de Abril, procurando o exotismo dos bazares, ou mesmo uma proibida tablete de haxixe. Passada a euforia da revolução, a integração europeia e o dinheiro aparentemente vadio, que forrou muitos bolsos, levaram a que as viagens a Marrocos fossem agora de jeep, em pueris expedições, misto de novo-riquismo basbaque e espírito de reconquista.
KKE reafirma justeza da recusa de convergência com a Syriza
Declaração da secretária-geral do CC do KKE sobre os resultados das eleições (tradução vermelhos.net)
Os resultados das eleições de 17 de Junho foram: Partido Comunista da Grécia, 4,5%, ND-Nova Democracia (partido liberal) 29,6%, SYRIZA (aliança de forças oportunistas e forças de PASOK) 26,9%, PASOK ( social-democratas) de 12,3%, os Gregos Independentes 7,55%, Golden Dawn (partido nacionalista, racista) 6,9% e Esquerda Democrática (cisão da Syriza e fusão com algumas forças de PASOK) 6,3%, LAOS ( mais antiga divisão da ND, partido nacionalista) 1,6%. Com base nestes resultados o KKE receberá 12 assentos parlamentares.
A secretária-geral do CC do KKE, após o anúncio dos resultados, fez a seguinte declaração:
O dinheiro que cura
"O dinheiro interage com quase todos os aspectos da vida moderna. A maioria de nós assume o sistema monetário imutável, mas ele tem uma influência profunda e amplamente mal compreendida em nossas vidas. O "The Money Fix" é um documentário que explora o relacionamento das nossas sociedades com o todo-poderoso Dinheiro.
Um flamenco para o Bankia
Bankia, pulmones y branquias (bulerías)
Animad·s por los recientes acontecimientos en torno a Bankia, a quien el gobierno está inyectando miles de millones de euros mientras la población española se hunde en la miseria, hemos querido sumarnos a las numerosas críticas contra este latrocinio. flo6x8 - Sevilha
Bankia, pulmões e guelras. Bulerias é a designação de um ritmo flamenco rápido e alegre.
Quando eu for grego, o meu voto será...
João Delgado
Governo ou não governo, assim se tem resumido, simplisticamente, o “diálogo” entre Syriza e KKE. Deste ponto de vista, pareceria inquestionável que a razão está do lado do partido que o BE reconhece como seu homólogo, cabendo o ónus do sectarismo ao “partido-irmão” do PCP. Fosse a vida assim tão simples, e não seria necessário pensar duas vezes para responder à magna questão, colocada por tanta gente de esquerda, de saber o que faria no domingo com o seu voto, se fosse grego.
Tsipras acaba de publicar no Financial Times um artigo em que procura sossegar os mercados, garantindo que o seu “ movimento - Syriza - está empenhado em manter a Grécia na zona euro”, comprometendo-se também com o seu crescimento, não se esquecendo aqui de citar e manifestar concordância com Barack Obama. A Syriza tem hoje um programa de governo indubitavelmente social-democrata, mas seria da mais profunda injustiça confundir esse programa com qualquer coisa que se tenha passado nessa área política nos últimos 50 anos.
ÚLTIMA HORA: RELVAS E O SUPER-ESPIÃO INCUMBIDOS DE TIRAR A LIMPO O CASO DO RESGATE ESPANHOL
Cartoon #23 ::: por Arlindo Fagundes
Um cão raivoso que sabe onde ferra, ferra fascistas e chama-lhe um figo.
Sérgio Godinho - Cão Raivoso
Crise? Está tudo bem.
João Delgado
Está tudo bem, têm dito e repetido o senhor Coelho e sua pandilha. Está tudo bem, estamos então muito satisfeitos, porque temos satisfeito os compromissos e o país se está a levantar. Há quem fique perplexo com essa aparente contradição entre o “está tudo bem” e o estado geral das coisas, com falências diárias de empresas, um milhão no desespero sem trabalho, estudantes a abandonarem as escolas, doentes a escolherem de que medicamento abdicar, crianças a passarem fome em casa e a recorrer à caridade.
Quando dizem que está tudo bem, acrescentam que o país está no bom caminho, e muito boa gente cuida que a ela se referem quando falam desse tal país, esquecendo que esta não é uma guerra entre países, é, mais uma vez, uma luta de classes. E é por isso que Coelho e os seus dizem que está tudo bem. E está tudo bem porque estão a ganhar. E já estão a ganhar desde que começaram a desmantelar o que perderam no 25 de Abril.
Espanha - Ajuda financeira? Falso. Resgate puro e duro. Não nos deixemos enganar.
Diana Cordero* (via kaosenlared.net, tradução vermelhos.net)
Palavras vazias que encobrem uma realidade que tem sido duríssima. A banca festeja, a UE festeja, o FMI festeja, os partidos do capital também. Mas o mais importante aqui é que não acabemos festejando nós o que é uma sentença de morte a médio prazo, uma sentença lancinante e sem obstáculos. Este resgate, que nos dizem que será sem imposições, na realidade implicará um antes e um depois nas nossas vidas.
Sabemos que a banca não pagará – nunca paga – e quererão que paguemos os de sempre. Isto significa mais encerramentos de fábricas, mais cortes nos serviços de saúde e educação, mais desempregados, mais impostos, despedimentos no setor público e no setor privado, ou seja, um dia a dia mais difícil, com uma população desprotegida e vulnerável, sem as mais elementares garantias dos nossos direitos básicos. Longe ficou o "estado de bem-estar" social-democrata, que já está desfocado, precário, e ao alcance de poucos.
Síria: uma visão anti-imperialista
Como sempre na véspera de agressões imperialistas, está montada a cortina de fumo da desinformação, apontando os bandidos e os heróis no conflito sírio. Publicamos tradução de apontamentos de Stephen Lendman sobre a evolução recente dos acontecimentos. Ao contrário dos media “independentes”, Lendman não esconde que escreve sobre “a guerra e a paz, o imperialismo americano, o domínio corporativo, perseguições políticas, e uma série de outras questões sociais, económicas e políticas”. É autor de livros como “How Wall Street Fleeces America - Privatized Banking, Government Collusion and Class War” e “The Iraq Quagmire: The Price of Imperial Arrogance”.
Aquecimento da retórica anti-Assad promove a guerra
por Stephen Lendman
Cada vez mais a guerra parece provável. Anteriormente Obama disse que "o regime de Assad deve chegar ao fim".
No início de junho, o secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, disse que a "guerra sectária sangrenta será diminuída se Assad se retirar do poder ou não estiver mais no poder".
A Syriza, a social-democracia e a União Europeia
Alberto Herbera - Rebelión (via La República, tradução vermelhos.net)
O espetacular resultado eleitoral da coligação Syriza nas últimas eleições legislativas gregas e a possibilidade de vitória na repetição das eleições em junho, representam uma novidade política de primeira ordem. Pela primeira vez, desde a dissolução do Partido Comunista Italiano em 1991, uma força política à esquerda da social-democracia oficial – que em todos os lugares se converteu ao neoliberalismo – se torna na primeira força eleitoral da esquerda e pode tornar-se na primeira força eleitoral num país da Europa Ocidental. Esta novidade é particularmente importante por representar uma transferência significativa do eleitorado grego para a esquerda, num país onde se estão a implementar as medidas de ajuste neoliberal mais agressivas, resultando no retrocesso brutal das condições de trabalho e padrões de vida da imensa maioria da população grega, e onde a população tem construído formas de luta e resistência de uma intensidade desconhecida na Europa nos últimos trinta anos.
É preciso tratar da democracia socialista
Em artigo publicado há quase dois meses (8 de Abril) na Folha de São Paulo, Tarso Genro (PT, governador do Rio Grande do Sul) lançou o desafio para um debate que tem tido algum eco na América do Sul. Publicamos essas reflexões e voltaremos ao tema com respostas de outros políticos da esquerda sul-americana.
É preciso tratar da democracia socialista
Não há debate sobre socialismo, pois governos de esquerda tem de lidar com alianças amplas e "resolver coisas". E existiriam dificuldades com os eleitores.
Mesmo as democracias consolidadas são ameaçadas, hoje, pela crise do sistema financeiro global. É clara a incompatibilidade objetiva entre o processo de enriquecimento sem trabalho, da atual fase do capitalismo global, com os sistemas socialdemocráticos estabelecidos, responsabilizados falsamente pela crise.
Nesse contexto, pergunto: não se deve abrir um debate honesto sobre democracia e a ideia do socialismo, tomando este não mais como modo de produção “pré-configurado”, mas como ideia reguladora?
Nazis no Báltico
Higinio Polo * (via rebelion.org, tradução vermelhos.net)
Em junho de 2008, Vaclav Havel e outros destacados expoentes da direita política e do anti-comunismo impulsionaram a Declaração de Praga, que foi coberta pela União Europeia, que insistiu na ideia de tratar como semelhantes o nazismo e o comunismo, equiparando-os, estendendo uma condenação que pretendiam definitiva. Para além da falta de rigor dessa declaração, e do recurso às mais grosseiras mentiras dos panfletários conservadores, que tentam ignorar a relação evidente do nazismo e do fascismo com o sistema capitalista, a ideia não era nova, e, de fato, tinha precedentes na propaganda americana durante os anos da Guerra Fria e, mais recentemente, na política dos governos dos países bálticos, cuja atual identidade nacionalista tem uma filiação clara no nacionalismo fascista cúmplice da Alemanha de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, ainda que hoje se procurem ocultar esses laços.
O roubo da banca explicado por uma criança
O roubo da banca aos cidadãos já foi explicado de quase todas as maneiras, à moda da economia, em jeito de animação, como piada... Para os que ainda não perceberam, talvez a voz de uma criança lhes abra os olhos.
O vídeo é real, Victoria Grant, canadense de 12 anos, falou numa conferência do Public Banking Institute, em Filadélfia. O menos relevante é saber se está a recitar ou convicta do que afirma. Legendas em castelhano. Nota: interés = juros.




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