Pedro Nuno Santos defende unidade entre PS, BE e PCP, na defesa do estado social

sexta, 29 junho 2012
Em entrevista publicada hoje no jornal i, o deputado socialista Pedro Nuno Santos fala sobre o Congresso Democrático das Alternativas, que subscreve, considerando-o um primeiro momento de um trabalho em conjunto que PS, BE e PCP devem desenvolver, unindo "forças no combate à direita e ao desmantelamento do Estado social". Para o militante socialista estes três partidos devem unir-se contra PSD e CDS que "estão interessados em reduzir o papel do Estado nestas funções sociais, em entregá-las ao privado e usam a austeridade e o Memorando como desculpa". Publicamos excerto da entrevista que pode ser lida na íntegra aqui.
 

"Uma posição mais dura com a troika é uma das ideias que une a esquerda num congresso que vai realizar-se a 5 de Outubro. O actual momento cria condições para uma aliança entre o PS e os partidos à sua esquerda?

Primeiro, estamos longe disso. Nem acho que neste momento faça sentido falar de coligação entre os partidos de esquerda, porque há muito trabalho para fazer antes. Portugal é praticamente o único país da Europa em que a esquerda não consegue trabalhar em conjunto.

O PS quando precisou de se aliar procurou sempre o PSD ou o CDS...

Isso tem origem na forma como nasceu a nossa democracia, num confronto centrado entre PCP e PS. A minha geração já nasce depois do 25 de Abril e quer tentar um relacionamento diferente, porque os nossos adversários chamam-se PSD e CDS. Há uma parte do PS que não acredita nisso, porque viveu trinta e tal anos numa relação difícil com o PCP, mas nós queremos trabalhar nisso e exige-se que se trabalhe desde já. Mas antes da união das esquerdas é preciso muito trabalho e este Congresso Democrático das Alternativas é mais um momento, de entre muitos que se têm tentado, para que as esquerdas pensem em conjunto. É preciso procurar uma alternativa à austeridade e procurá-la juntos.

O PCP já se pôs de fora.

Os partidos não estão, este é um congresso de pessoas de esquerda. E há pessoas de esquerda independentes, do BE, próximas do PCP – aliás, Carvalho da Silva é militante do PCP – e militantes ou deputados do PS. Não é, nem pode ser, de nenhum partido e os socialistas que lá estão, estão neste espírito.

O PS deve liderar uma tentativa de união à esquerda no curto prazo. Deve dar um passo nesse sentido?

Acho que, do ponto de vista da governação, nós devemos abrir portas, já nas autárquicas, a coligações.

Mas eu estava a falar a nível nacional.

Nas autárquicas os partidos não fazem coligações há muitos anos e não tem sequer havido essa possibilidade. E isso não está ainda decidido dentro do PS. As próximas autárquicas são uma oportunidade importante para trabalharmos em conjunto. Tudo o resto só poderá vir depois de experimentarmos isto: debatermos em conjunto e estarmos no poder autárquico em conjunto.

Mas a nível nacional será possível, já que até hoje o PS nunca se aliou com nenhum partido à sua esquerda?

É desejável que a esquerda se aproxime. Que una forças no combate à direita e ao desmantelamento do Estado social.

O PCP incluído?

Todos os partidos da esquerda. Quem mais ganha com esta divisão é a direita portuguesa. Ao longo da minha vida política sempre ouvi cada um dos partidos – PS, PCP e BE – responsabilizarem os outros pela ausência de entendimento. A verdade é que os três têm responsabilidades e é preciso mudar a agulha. Em vez de identificarmos a nossas dificuldades é preciso encontrar os pontos em comum.

Mas o PS não tem mais pontos em comum com o PSD do que com os comunistas?

Não, não tem. A maior realização portuguesa foi o nosso estado social e só há três partidos interessados em preservar essas conquistas: PCP, BE e PS. O PSD e o CDS estão interessados em reduzir o papel do Estado nestas funções sociais, em entregá-las ao privado e usam a austeridade e o Memorando como desculpa.

Não o chocava ver Francisco Louçã ou Jerónimo de Sousa num governo do PS?

Isso não é a questão, não é isso que é relevante. O que é importante é começarmos hoje a trabalhar em conjunto.

Sem falar em nomes, não o chocava ver o PCP e o BE no governo com o PS?

Neste momento a questão não se coloca, mas espero que a esquerda portuguesa consiga oferecer estabilidade ao país como neste momento a direita consegue."

Comentários   

 
+2 #1 Rocha 29-06-2012 21:30
Este gajo é um mentiroso. O que este gajo quer é fazer o mesmo que o Sócrates: prometer 150 mil empregos, chegar ao poder e rasgar todas as promessas.
A estabilidade que ele quer é a dos bancos e dos capitalistas. É só mais um mentiroso/aldra bão, de onde ele veio já vieram muitos.

Soares, Constâncio, Sampaio, Guterres (o menos mau), Ferro Rodrigues, Sócrates, Seguro, enquanto houver PS vai haver mentirosos.
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0 #2 Rui 28-09-2012 18:48
Como tenho 72 anos, lembro-me no tempo do fascismo haver oposicrática(qu e + ou -deu origem ao PSD) , os rabanetes(verme lhos por for e branquinhos por dentro PS) e os que davam com os costados na cadeia PC. Está tudo dito
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+1 #3 Fernando Negro 28-09-2012 22:45
"O PS deve liderar uma tentativa de união à esquerda"...

Ahah. Grande "esquerda", que representa este partido... Se "esquerda" é, entre outras coisas, andar a privatizar, em vez de nacionalizar, as empresas que deveriam ser públicas, então deve ser de cabeça para baixo - e com o sistema digestivo a funcionar ao contrário - que esta gente está no Parlamento...

Isto é tudo teatro... Para que quem diz estas coisas se faça passar por verdadeira "alternativa" e para dar a impressão de que o PS e também o BE são verdadeiros partidos de esquerda.

E este Pedro Santos e restantes pessoas que avançam com estas propostas ridículas sabem bem que o PCP - que, ao contrário dos restantes partidos, é verdadeiramente fiel ao seus ideais socialistas - nunca se irá juntar a quem apenas diz ser socialista, mas que tudo o que faz é jogar a favor dos seus verdadeiros amos capitalistas.

Só falta agora virem dizer que, se o PCP não quer alinhar com isto, é porque é ele é que não quer fazer parte da esquerda...
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0 #4 Yoseph 29-09-2012 10:53
Obviamente concordo inteiramente com os comentários do Sr. Rocha e do Sr. Fernando.

A pergunta mais pertinente foi mesmo:
"Mas o PS não tem mais pontos em comum com o PSD do que com os comunistas?"
A resposta é que não convence.
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