Pedro Nuno Santos defende unidade entre PS, BE e PCP, na defesa do estado social
Em entrevista publicada hoje no jornal i, o deputado socialista Pedro Nuno Santos fala sobre o Congresso Democrático das Alternativas, que subscreve, considerando-o um primeiro momento de um trabalho em conjunto que PS, BE e PCP devem desenvolver, unindo "forças no combate à direita e ao desmantelamento do Estado social". Para o militante socialista estes três partidos devem unir-se contra PSD e CDS que "estão interessados em reduzir o papel do Estado nestas funções sociais, em entregá-las ao privado e usam a austeridade e o Memorando como desculpa". Publicamos excerto da entrevista que pode ser lida na íntegra aqui.
"Uma posição mais dura com a troika é uma das ideias que une a esquerda num congresso que vai realizar-se a 5 de Outubro. O actual momento cria condições para uma aliança entre o PS e os partidos à sua esquerda?
Primeiro, estamos longe disso. Nem acho que neste momento faça sentido falar de coligação entre os partidos de esquerda, porque há muito trabalho para fazer antes. Portugal é praticamente o único país da Europa em que a esquerda não consegue trabalhar em conjunto.
O PS quando precisou de se aliar procurou sempre o PSD ou o CDS...
Isso tem origem na forma como nasceu a nossa democracia, num confronto centrado entre PCP e PS. A minha geração já nasce depois do 25 de Abril e quer tentar um relacionamento diferente, porque os nossos adversários chamam-se PSD e CDS. Há uma parte do PS que não acredita nisso, porque viveu trinta e tal anos numa relação difícil com o PCP, mas nós queremos trabalhar nisso e exige-se que se trabalhe desde já. Mas antes da união das esquerdas é preciso muito trabalho e este Congresso Democrático das Alternativas é mais um momento, de entre muitos que se têm tentado, para que as esquerdas pensem em conjunto. É preciso procurar uma alternativa à austeridade e procurá-la juntos.
O PCP já se pôs de fora.
Os partidos não estão, este é um congresso de pessoas de esquerda. E há pessoas de esquerda independentes, do BE, próximas do PCP – aliás, Carvalho da Silva é militante do PCP – e militantes ou deputados do PS. Não é, nem pode ser, de nenhum partido e os socialistas que lá estão, estão neste espírito.
O PS deve liderar uma tentativa de união à esquerda no curto prazo. Deve dar um passo nesse sentido?
Acho que, do ponto de vista da governação, nós devemos abrir portas, já nas autárquicas, a coligações.
Mas eu estava a falar a nível nacional.
Nas autárquicas os partidos não fazem coligações há muitos anos e não tem sequer havido essa possibilidade. E isso não está ainda decidido dentro do PS. As próximas autárquicas são uma oportunidade importante para trabalharmos em conjunto. Tudo o resto só poderá vir depois de experimentarmos isto: debatermos em conjunto e estarmos no poder autárquico em conjunto.
Mas a nível nacional será possível, já que até hoje o PS nunca se aliou com nenhum partido à sua esquerda?
É desejável que a esquerda se aproxime. Que una forças no combate à direita e ao desmantelamento do Estado social.
O PCP incluído?
Todos os partidos da esquerda. Quem mais ganha com esta divisão é a direita portuguesa. Ao longo da minha vida política sempre ouvi cada um dos partidos – PS, PCP e BE – responsabilizarem os outros pela ausência de entendimento. A verdade é que os três têm responsabilidades e é preciso mudar a agulha. Em vez de identificarmos a nossas dificuldades é preciso encontrar os pontos em comum.
Mas o PS não tem mais pontos em comum com o PSD do que com os comunistas?
Não, não tem. A maior realização portuguesa foi o nosso estado social e só há três partidos interessados em preservar essas conquistas: PCP, BE e PS. O PSD e o CDS estão interessados em reduzir o papel do Estado nestas funções sociais, em entregá-las ao privado e usam a austeridade e o Memorando como desculpa.
Não o chocava ver Francisco Louçã ou Jerónimo de Sousa num governo do PS?
Isso não é a questão, não é isso que é relevante. O que é importante é começarmos hoje a trabalhar em conjunto.
Sem falar em nomes, não o chocava ver o PCP e o BE no governo com o PS?
Neste momento a questão não se coloca, mas espero que a esquerda portuguesa consiga oferecer estabilidade ao país como neste momento a direita consegue."

Comentários
A estabilidade que ele quer é a dos bancos e dos capitalistas. É só mais um mentiroso/aldra bão, de onde ele veio já vieram muitos.
Soares, Constâncio, Sampaio, Guterres (o menos mau), Ferro Rodrigues, Sócrates, Seguro, enquanto houver PS vai haver mentirosos.
Ahah. Grande "esquerda", que representa este partido... Se "esquerda" é, entre outras coisas, andar a privatizar, em vez de nacionalizar, as empresas que deveriam ser públicas, então deve ser de cabeça para baixo - e com o sistema digestivo a funcionar ao contrário - que esta gente está no Parlamento...
Isto é tudo teatro... Para que quem diz estas coisas se faça passar por verdadeira "alternativa" e para dar a impressão de que o PS e também o BE são verdadeiros partidos de esquerda.
E este Pedro Santos e restantes pessoas que avançam com estas propostas ridículas sabem bem que o PCP - que, ao contrário dos restantes partidos, é verdadeiramente fiel ao seus ideais socialistas - nunca se irá juntar a quem apenas diz ser socialista, mas que tudo o que faz é jogar a favor dos seus verdadeiros amos capitalistas.
Só falta agora virem dizer que, se o PCP não quer alinhar com isto, é porque é ele é que não quer fazer parte da esquerda...
A pergunta mais pertinente foi mesmo:
"Mas o PS não tem mais pontos em comum com o PSD do que com os comunistas?"
A resposta é que não convence.
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