Francisco Louçã: "o IV Reich da sra. Merkel leva a uma desagregação do euro"
Em entrevista ao Sol, Francisco Louçã fala sobre a crise europeia, particularmente sobre a situação na Grécia e em Portugal. Para o coordenador do Bloco de Esquerda - que revela ainda não ter decidido se renovará o mandato no final do ano -, tal como na Grécia, é possível em Portugal disputar em eleições um governo contra a troika, sem o PS. Publicamos extratos da entrevista hoje publicada.
A esquerda socialista está em minoria na Europa.
Foi com uma grande maioria de partidos socialistas na Europa que se votou o tratado de Maastricht, com políticas pró-recessivas. Confio muito pouco no que as cúpulas europeias possam fazer e muito mais nos eleitores.
Isso é que pode mudar a vida da Europa, porque o 'IV Reich' da sra. Merkel leva a uma desagregação do euro, é causadora do risco de colapso do euro e da transformação de recessôes numa grande depressão.
Entremos na questão grega: a Syríza, coligação 'parceira' do Bloco e que está na frente das sondagens, quer anular o memorando mas ficar no euro. Não há dinheiro para pagar salários em Junho. Como é que se resolve esta equação?
Se houver um governo de esquerda, o compromisso eleitoral que eles têm - que partilho - é de iniciar imediatamente um processo de renegociação com uma moratória sobre o pagamento dos juros da dívida, por razões óbvias de financiamento, e que permita o cancelamento da dívida ilegítima.
Alexis Tsipras: “não queremos os pobres com dracmas e os ricos a comprar tudo com euros”
Em entrevista concedida ontem à CNN, Alexis Tsipras recusa o regresso da Grécia ao dracma [moeda nacional antes do euro], e avisa que se tal acontecer o desastre será a nível europeu. O líder da Syriza acredita que em cooperação com outros países será possível inverter o caminho que está a ser seguido “diretamente para o inferno”. (Tradução vermelhos.net)
Christiane Amanpour: Merkel disse que ou vocês fazem reformas e austeridade ou estão fora do euro. Você acha que a chanceler alemã está a fazer "bluff"?
Alexis Tsipras: Eu não sei o que a senhora Merkel quer fazer. Mas eu sei o que nós queremos fazer. Nós não queremos a Grécia fora da Europa. Nós não queremos a Grécia fora da zona euro.
Mas eu - nós, sentimos que a senhora Merkel coloca o euro e a zona euro em grande perigo, mantendo-nos nestas medidas de austeridade. Então nós queremos mudar as medidas de austeridade, na Grécia e na Europa. Isso é o que queremos fazer e queremos fazê-lo em cooperação com outras forças e os povos da Europa, as pessoas que querem uma mudança grande, porque toda a gente sabe agora que, com esta política, nós estamos a ir diretamente para o inferno. E nós queremos mudar isso – esse caminho.
KKE apresentará no parlamento grego lei pela abolição do acordo de empréstimo
A caminho de novas eleições na Grécia, o KKE reafirma a recusa na participação em conversações para formação de governos. Em artigo publicado no site dos comunistas gregos, a secretária-geral do partido, Aleka Papariga, garante que em vez de enviar cartas [numa referência à Syriza], o KKE apresentará no parlamento "um projecto de lei que colocará de modo muito específico a abolição e derrube do acordo de empréstimo e do memorando e os partidos terão de tomar uma posição".
A cólera quando conduzida ao longo de caminhos militantes sempre proporciona algo melhor
O processo fraudulento dos mandatos exploratórios para a formação de um governo perdura há uma semana. Um processo no qual uma série de enganos e dilemas intimidatórios esteve a regurgitar, tal como "direita-esquerda", "memorando-anti-memorando", "euro-dracma", "austeridade-desenvolvimento". No domingo 13 de Maio, após a conclusão do processo dos mandatos exploratórios dos três primeiros partidos para a formação de um governo, o Presidente da República começou o processo de encontros com os líderes políticos. Após a sua reunião com o Presidente da República, a secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, fez a seguinte declaração:
Durão Barroso, em 2002, apoiou o golpe contra Chávez. E para 2012, tem algo na agenda?
João Delgado
Para quem tinha ilusões sobre a qualidade da democracia na União Europeia, os recentes desenvolvimentos da situação política na Grécia, e consequentes reações um pouco por todo a Europa, são bastantes esclarecedores.
Não estou sequer, aqui e agora, interessado em discutir como a Grécia chegou à situação de pré-catástrofe, mas sim em apontar o dedo a quem conduz a Europa por um acidentado declive, com a insensatez de um bêbado ao volante de um camião-cisterna.
Os gregos, além de terem espatifado a mesada em luxos, atreveram-se agora a dar com os pés nos partidos que negociaram a soberania do país em troca de empréstimos agiotas, que os condenam a uma crise humanitária, como diz o dirigente da Syriza, Alexis Tsipras.
Tem algo errado na Alemanha...
Via Carta Maior
Segundo as pesquisas cerca de 60% dos eleitores alemães se mostram satisfeitos com a liderança “austera” de Angela Merkel na Europa. Ela é apontada como a política mais popular da Alemanha nos últimos tempos. Entretanto, no domingo passado seu partido, a União Democrata Cristã, amargou mais uma pesada derrota em eleição regional no estado de Schlewig-Holstein. Neste domingo, nova derrota em Nordrhein-Westfalen, o mais populoso e urbanizado da Alemanha. Enquanto isso, a Der Spiegel destaca na manchete: "Por que a Grécia deve abandonar o euro". O artigo é de Flávio Aguiar, direto de Berlim.
Que me desculpem os puristas, mas a expressão popular do título descreve melhor a situação do que o castiço “há algo...”.
Catastroika - depois da Dividocracia, a privatização da Europa
Via Auditoria Cidadã
O novo documentário da equipa responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacte da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.
Syriza exige a líderes da UE solução para evitar catástrofe económica e crise humanitária
O líder da Syriza, Alexis Tsipras, escreveu aos responsáveis europeus (Durão Barroso, Van Rompuy, Μartin Schultz, Mario Draghi e Jean Claude Juncker) alertando para que a economia da Grécia caminha "para uma catástrofe" que "tende a levar a uma crise humanitária". Considerando que se está perante um problema europeu, Stripas exige respostas ao nível europeu, sob pena de a instabilidade alastrar à UE e zona Euro. Publicamos a carta de Tsipras na íntegra (tradução vermelhos.net).
Caro Senhor Presidente *
Estou a enviar-lhe esta carta após devolver o mandato exploratório que o Presidente da República Helénica me confiou, para que eu pudesse determinar a possibilidade da criação de um governo que tivesse a confiança do parlamento, de acordo com a nossa Constituição. Esta carta é uma continuação da anterior, que enviei em 21 de fevereiro.
NPA apela à luta contra a austeridade de esquerda de Hollande
O candidato presidencial apoiado pelo NPA, Philippe Poutou, apresentou um balanço das eleições presidenciais francesas, apelando à continuação das mobilizações contra a austeridade de esquerda, que prevê como política de François Hollande.
Philippe Poutou - que sucedeu a Olivier Bésancenot como candidato do Nouveau Parti Anticapitalist (ex-LCR) - obteve apenas 1,15% dos votos na primeira volta, apelando depois ao voto contra Sarkozy. (tradução vermelhos.net)
"Nicolas Sarkozy, o "presidente dos ricos" está bem e verdadeiramente batido e congratulamo-nos com isso. O seu balanço é uma luta de classes realizada ao serviço dos seus amigos do Fouquet’s.
KKE acusa Syriza de manobras táticas para roubar votos
O KKE reagiu às propostas apresentadas pela coligação SYRIZA para a formação de um governo de esquerda, considerando-as manobras táticas "que têm o caráter de um anúncio pré-eleitoral dirigida aos mais desesperados para os enganar e roubar votos". Publicamos artigo e comunicado do Gabinete de Imprensa do CC do KKE (tradução vermelhos.net).
Um "governo de esquerda" é um "bote salva-vidas furado" para o povo que está a sofrer
Alexis Tsipras, líder da SYRIZA, que recebeu ontem (8 de maio) o mandato exploratório do Presidente para formar um governo e começou os contatos com os líderes partidários, utiliza manobras táticas e tenta provocar uma grande impressão.
O líder da SYRIZA contatou com a Secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, por telefone, e solicitou uma reunião no âmbito dos seus contactos com os líderes dos partidos, no que diz respeito à formação de um governo. Aleka Papariga disse que não há tema de discussão para a reunião.
CGTP - Petição pelo aumento das pensões
PETIÇÃO
- Contra as injustiças
- Pelo aumento de todas as pensões mínimas
- Manter o poder de compra de todas as outras pensões
As pensões mínimas do regime geral estão definidas em 4 escalões de acordo com a carreira contributiva dos beneficiários.
A lei do Orçamento de Estado para 2012, preconiza o aumento das pensões mínimas do regime geral, mas o Governo PSD/CDS limitou-se a actualizar a pensão de velhice e invalidez atribuída a beneficiários com carreira contributiva inferior a 15 anos, não cumprindo o que está preconizado no seu O.E.
Todas as outras pensões estão congeladas desde Janeiro de 2011, incluindo as pensões por doença profissional.
Querem roubar o 13º mês e o subsídio de férias aos pensionistas e aposentados cujas pensões estão acima dos 600,00 €.
Aumentaram os preços de bens e serviços essenciais.
KKE recusa reunir com Syriza para discutir governo de esquerda
Aleka Papariga, secretária-geral do Partido Comunista da Grécia (KKE), recusou reunir com Alexis Tsipras, no âmbito das reuniões para formação de novo governo, depois do fracasso dos contactos do partido mais votado, a Nova Democracia.
A Esquerda Democrática já tinha dado o seu acordo a um governo de esquerda. Fotis Kouvelis, líder do partido, que junta dissidentes da Syriza e do PASOK, prometeu apoio a Alexis Tsipras, na sua missão de formar um governo de coligação. "Eu disse-lhe que se quiser pode ir em frente com um governo de partidos de esquerda, com o apoio da Esquerda Democrática", afirmou, no final da reunião com Tsipras.
A Syriza tinha já apresentado cinco pontos que considera fundamentais para a acção de um governo de esquerda:
1. Negação imediata do memorando
2. Negação de todas as medidas que afectem todos os aspectos do direito do trabalho
3. Mudanças imediatas na legislação eleitoral e negação da lei de culpabilidade ministerial
4. Controle estatal dos bancos
5. Criação de um órgão internacional de auditoria, com a finalidade de encontrar uma solução séria e lógica para o reembolso da dívida da Grécia.
Syriza quer formar governo e rejeita ingerência externa
Publicamos a declaração política da coligação Syriza, na véspera de ser chamada a formar governo na Grécia. A tradução é amadora, automática do grego para o inglês. Mas cremos ser melhor esta publicação do que esperar pela versão dos média dominantes.
Declarações do líder da coligação SYRIZA / EARRINGS social front, Alexis Tsipras, após reunião com Antonis Samara [N.T. líder da ND]
Pedimos ao povo grego uma eleição para o governo.
Pedimos um mandato para formar uma coligação de governo à esquerda, para romper com o Memorando da falência.
Questionaram-nos sobre o que significa o que dizemos.
Acreditamos firmemente que a salvação da Grécia passa pela rejeição das medidas brutais.
KKE recusa propostas "social-democratas" da SYRIZA
O KKE reafirmou a recusa de participar em qualquer governo de esquerda, refutando as propostas políticas "social-democratas" da coligação SYRIZA, e lembrando que não existe suporte parlamentar para tal governo. Os comunistas gregos garantem que vão prosseguir a luta por mudanças consistentes de política, e questionam a SYRIZA sobre quais são as suas propostas políticas efectivas, acusando o agora segundo maior partido grego de apenas ter "slogans gerais e denúncias gerais do memorando". A declaração que publicamos é da secretária-geral do KKE, Aleka Papariga.
Via http://inter.kke.gr/ (tradução vermelhos.net)
Afinal a troika não chegou à maioria absoluta na Grécia
[EM ACTUALIZAÇÃO] Atribuídos oficialmente os 300 mandatos, Nova Democracia (18.9% - 108) e PASOK (13.2% - 41) não chegaram, ao contrário do que se projectava ontem, à maioria absoluta de deputados. Nem o bónus de 50 deputados para o partido mais votado permitiu que os dois partidos que trouxeram a Grécia até à beira do abismo chegassem ao mínimo de 151.
Confirmado foi o excelente resultado da coligação de esquerda Syriza (de extrema-esquerda radical, como se diz na TV, ou stalinistas radicais, na versão Luís Filipe Menezes, em crónica na Antena 1), chegando aos 52 deputados (16.8%). Os Gregos Independentes ficaram com 33 (10.6%), os comunistas do KKE com 26 (8.5%), os fascistas da Aurora Dourada com 21 (7%) e a Esquerda Democrática com 19 (6.1%).
Mélenchon afirma que Hollande "tem os meios para agir"
Jean-Luc Mélenchon, candidato da Frente de Esquerda na primeira volta das presidenciais francesas, saudou a vitória de François Hollande, considerando que o socialista "tem os meios para agir". Mélenchon, que teve o apoio do PCF, declara que "a Frente de Esquerda se empenha, independente e conquistadora, para que a derrota da direita e a eleição de François Hollande se tornem a vitória das exigências fortes que se exprimiram".
Louçã critica sectarismo do KKE
Em nota publicada no Facebook, Francisco Louçã saúda a derrota de Sarkozy, na França, e o resultado da coligação Syriza ("o partido que na Grécia corresponde ao Bloco de Esquerda", escreve). O coordenador do BE condena a "orientação sectária do KKE, o partido comunista grego, centrada na exigência da saída do euro, [que] foi rejeitada pela maioria da esquerda que luta contra a troika". Publicamos a nota na íntegra.
Duas vitórias contra as troikas
A França derrotou a senhora Merkel e o seu agente francês. Exigiu a alteração do tratado europeu e uma Europa com democracia e contra a austeridade e a recessão.
A Grécia impôs aos partidos do centro e da direita a queda para metade dos votos e fez do partido contra a troika, o Syriza, o segundo mais votado, penalizando o partido socialista que liderou os ataques contra os trabalhadores.
São duas notáveis vitórias que nos ensinam muito.




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